Pra mudar as Perspectivas

Que nem todo mundo enxerga o mundo da mesma forma já estamos cansados de saber. Porem que formas são essas? E quão diferente elas são? Apesar de algumas mentes serem um total enigma para nós, ainda é possível dar uma bisbilhotadinha, por meio da literatura. Te convido então a mergulhar nesse mesmo mundo, mas com um leque de cores maior para se contemplar.

Passarinha – Kathryn Erskine

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No mundo de Caitlin tudo é preto ou branco. As coisas são boas ou más. Qualquer coisa no meio do caminho é confuso. Essa é a máxima que o irmão mais velho de Caitlin sempre repetiu. Mas agora Devon está morto e o pai não está ajudando em nada. Caitlin quer acabar com isso, mas como uma menina de onze anos de idade, com síndrome de Asperger ela não sabe como. Quando ela lê a definição de encerramento ela percebe que é o que ela precisa. Em sua busca por ele, Caitlin descobre que nem tudo é preto ou branco, o mundo está cheio de cores, confuso e bonito.

Caitlin nos faz enxergar como uma pessoa pode sim sentir emoções fortes e não demonstrar da forma como gostaríamos que ela mostrasse. Nos ajuda a lidar com determinadas perdas e muitas outras coisas que para nos é simples, vemos que com Caitlin tem muito significados, no final deixando aquela duvida. Quem será que é mais difícil de entender ou lidar? Com formas bem literais de entender o mundo nos pegamos questionando o que dizemos que fazemos mas na realidade não fazemos.

“A Sra. Brook diz que a gente pode falar com ela a qualquer hora porque as suas portas estão sempre abertas. Na verdade ela só tem uma e está quase sempre fechada. Mas quando a gente bate ela lembra de abrir.” 

Tudo Menos Normal – Nora Raleigh Baskin

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Jason Blake é um autista de doze anos vivendo em um mundo neurotípico, de “pessoas normais”. Para ele, quase sempre é apenas uma questão de tempo até que alguma coisa dê errado.
Mas Jason acaba encontrando um pouco de compreensão quando cruza com Phoenixbird, uma garota que publica histórias no mesmo website que ele.
Jason pode ser ele mesmo quando escreve, e imagina que Phoenixbird, cujo nome descobre ser Rebecca, pode se tornar sua primeira amiga de verdade.
Mas tanto quanto ansioso por conhecê-la, Jason está apavorado com a possibilidade de que, quando isso acontecer, Rebecca não seja capaz de enxergá-lo como realmente é, indo além das aparências.

De uma outra maneira com quase os mesmos finais, Jason mostra claramente o esforço que temos de fazer para sermos aceitos no mundo e compreendido por ele. Como perdemos muita singularidade por culpa do encaixe que temos que fazer na sociedade para ser um ser humano comum. Não importa quantos anos você tenha, se essa é a sua primeira ou milésima leitura, foi especialmente criado para te dar uma segunda chance de ser mais. Muito mais.

“Como se mostra consideração. Consideração é uma emoção. É um sentimento. Não se pode fazer um retrato disso. por que as pessoas querem que todos ajam da mesma forma que elas? Que falem como elas. Que pareçam com elas. Que ajam como elas. E se você não fizer isso…se você não fizer isso, as pessoas concluem que você não sente da mesma forma que elas sentem. E então elas concluem. Elas concluem que você não sente absolutamente nada.”

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3 pensamentos sobre “Pra mudar as Perspectivas

  1. Gosto de livros assim, em sua maioria são obras reflexivas que, se lidas por pessoas sem nenhuma interpretação, como é o caso de crianças, o livro parece uma simples historia, mas se você conseguir interpretar as mensagens do escritor, acaba vendo que é uma grande reflexão sobre quão superficial e até mesmo imatura é a sociedade criada pelo ser humano e a necessidade de nos infiltrarmos nesse meio, demonstrando que cada pessoa apenas deseja ser aceito de forma que ela se esforça demasiadamente para consegui-lo. É como aqueles filmes com final surpreendente que, se você assistir de novo lhe garante uma experiência totalmente diferente. Assim foi para mim quando li o Pequeno príncipe, que a primeira vista, parecia ser uma simples estória de um garoto caído do céu buscando voltar para sua rosa(não me culpe, eu tinha 8 anos quando li), mas na segunda vez, percebi que era uma total reflexão da vida e cada fato que nela acontece durante seu tempo, cada elemento da sociedade em cada um dos pequenos planetas por onde ele passa, fazendo você se sentir um pouco patético por saber que tudo o que ele diz é totalmente verdade. Parabens pela publicação.

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