Conhecendo brevemente o Budismo

mongeUma entrevista com um futuro monge.
 O budismo é uma religião que chegou ao Brasil juntamente com os descentes de japoneses que por aqui chegaram logo depois da colonização do pais. Num lugar aonde o que predomina é o cristianismo, despertar uma curiosidade e querer saber sobre essa religião tão diferente é normal.
Com isso em conta, entrevistei há algum tempo o aprendiz sacerdotal João Felipe que atua no templo budista Hompoji, vertente Sutra Lotus localizado em Londrina. Nesta entrevista, ele fala sobre o que é o budismo, os princípios da religião como a religião vê o mundo e a morte. Também esclarece sobre o processo de tornar-se um monge e o seu cotidiano no mosteiro.
 
  • Como você pode definir o budismo? 
    O budismo, antes de tudo ele é uma religião. Muita gente diz que é uma filosofia de vida, re
    ligião é uma filosofia de vida. Nós acreditamos em deus, falamos muito em fé e de certa forma… É parecido com demais religiões nesse ponto,  é diferente quando a sua pratica, diferente das demais religiões. O Buda  2600 anos atrás deixou toda a condição de príncipe que tinha para ir atrás do que seria a verdadeira felicidade que segundo ele seria acabar com sofrimento inevitáveis do mundo. Durante 50 anos buscou isso, mesmo depois de ter atingido a iluminação. Ele continuou 50 anos pesquisando o que seria o fim desse sofrimento. E isso que acreditamos, em todas as referencias que temos da vida dele. Claro não foi uma pessoa normal que tirou conclusões, acreditamos sim que ele tinha certa predestinação a fazer isso.
  • Quais os princípios do budismo? Qual a relação dele para com a sociedade? 
    Primeiramente
     buscamos a felicidade das pessoas como um todo, não só a  próprio. Muita gente acha que, até mesmo por influencia das mídias em geral, na historia de que o budista é aquele que vai para o alto duma montanha se isola de todo mundo e fica sentado meditando. Não é bem assim. Na verdade nos buscamos antes de tudo a felicidade das pessoas a nossa volta e a nossa vem como consequência, isso é o mais importante toda e qualquer pratica que leve a isso.

  • Desde quando existem pessoas que professam o budismo em Londrina? 
    Em londrina esse templo já existe 
     63 anos, já faz algum tempo. No Brasil inteiro ele veio em 1908 com a imigração japonesa. Então quando veio na primeira leva da imigração japonesa, veio também o primeiro monge budista. O budismo é separado por varias vertentes, então, essa vertente budista é a pioneira no Brasil.

  • O budismo perante o que os cristãos chamam de milagres? Qual o posicionamento dele diante a isso?
    Eu não diria que seriam milagres. Nos acreditamos em uma palavra que em português seria benção. Em japoneses tem seu termo, seria como se fosse uma benção. Por que nós não usamos o termo milagres? Porque para nos é algo totalmente possível, nós não acreditamos em coisas impossíveis. Por exemplo, no nosso ponto de vista um milagre seria  você cortar um dedo e ele nascer de novo. Para nos não, qualquer outra coisa mesmo com uma margem pequena de possibilidade ainda é possível. Então pra nos quando isso acontece mesmo que improvável se chama benção.

  • Qual foi o seu primeiro contato com o budismo? 
    Meu primeiro contato, eu achei pela internet. Como a maioria das pessoas hoje em dia, isso facilita bastante.  Claro que pela internet nos encontramos muitas coisas são muitas informações bem diferente. Depois que eu entrei aqui no templo vi que não era bem assim. Esse foi o meu primeiro contato, como a maioria das pessoas. Sempre tem aquela mística sobre o budismo e quando você pesquisa. Eu procurei se tinha um templo perto da minha casa, e realmente tinha um e resolvi vir para conhecer.

  • Quando você decidiu ser aprendiz sacerdotal? 
    Foi nos primeiros meses, assim que eu comecei a frequentar, comecei a vir com certa frequência. Aqui, ocultos budistas acontecem todas os dias, então sempre de manha eu conseguia vir. Então quando você vai acumulando essa pratica você vai entendendo. Não tem como alguém sentar com você e falar, vou explicar tudo sobre o budismo, é bastante difícil e complexoÉ uma religião que você aprende na pratica do dia-a-dia. Também procurei materiais a respeito do budismo; A biografia do pioneiro do budismo do Brasilque veio com a imigração japonesa eu li inteira, achei um máximo o que ele fez, gostei muito, então, eu ia tentar medicina, eu disse não. Apesar de ser uma mudança bem brusca é isso que me faz feliz, então eu resolvi vir aqui e me tornar monge.

  • Como era sua vida antes e depois? Como você define?
    Eu acho que antes eu tinha mais preocupações, não que hoje eu não tenha afazeres ou preocupações eu tenho, mas isso não me incomoda mais como incomodava antes. Parecia que antes eu vivia sempre de cabeça cheia, alguma coisa a ser feita e que tudo era uma correria, acho que era bem comum porque hoje as pessoas são assim devido ao ritmo frenético da vida. Claro não é aquela coisa zen que todo mundo imagina, que acabou tudo, não, nós tem atividades diárias, tem as outras pessoas que as vezes vem te procurar. Hoje a felicidade é bem mais duradoura e forte. Não é qualquer cosia que pode abalar ela. Eu acho que me identifiquei bastante, encontrei aquilo que eu queria.

  • Qual a mensagem que você quer deixar para o mundo depois que você morrer?
    Acho que eu gostaria depois que morresse deixar uma mensagem um pouco melhor sobre o budismo. Como disse eu percebi que muitas das informações eram equivocadas, ate mesmo aquela estatuazinha barrigudinha, aquilo lá não é buda e até hoje para 90% das pessoas aquilo é buda, as informações sobre o budismo estão assim bem confusas ainda. Então se pudesse deixar algo ao mundo eu deixaria um esclarecimento maior. Mesmo que todas pessoas não seguissem, mas que todas as pessoas saibam o que significa isso exatamente, não só aquela coisa hollywoodiana de alguém que se isola em uma montanha ou adora uma estatua barrigudinha, ou coisa do tipo.

  • O que faz um Monge ser tão especial?
    Nos não nos consideramos especiais, pelo contrario. Nos temos como exercício de buda o reconhecimento dos próprios defeitos então é importantíssimo, para um monge saber quanto ele é humano quanto tem problemas como qualquer outra pessoa. Reconhecendo esses problemas você se torna mais humilde, mais tolerante e isso faz com que você consiga se relacionar melhor com as pessoas, mas não se põe acima de ninguém. No entanto, aqui nenhum sacerdote é capas de abençoar ou consagrar nada. Quem faz isso é a própria pessoa através da sua fé. Pra nos, só tem poder aqui  a imagem sagrada, o Mantra. Ela representa Deus, é a única imagem que nos adoramos. O sacerdote em si não tem poder, nada de especial. Apenas a pessoa que detêm os conhecimentos.

  • Quais são as tarefas que um monge tem de fazer?
    Basicamente o principal claro, é querer fomentar a pratica dos outros não querer guardar pra si. Diariamente você tem que acordar bem cedo, as 4h30para fazer toda a limpeza do templo, para nos não é um fardo, nos chamamos de zelo, e esse zelo é importante porque monstra nosso respeito pela imagem sagrada. Então como sinal de respeito todas as manhas nos deixamos pelo menos as limitações da imagem bastante limpo. Então faz as primeiras orações diárias, fazem o zelo do altar ai começam o seu dia, se uma pessoa te procurar você ajuda, se ninguém te procurar você vai atrás.

  • Qual a relação geral perante o seu modo peculiar de vida? Causa no primeiro momento certa estranheza por ser bem diferente, as pessoas aqui no Brasil são bem mais habituadas ao cristianismo. Quando elas entram num templo budista no primeiro momento estranham, um pouco também por ser uma vertente de origem japonesa, pensam que é só coisa de japonês, mas na verdade não é nada disso. Se ela tiver esse esforço e essa vontade de conhecer um pouquinho vai ver que é bastante simples, aberto a qualquer pessoa, que é uma pratica fácil e acessível a crianças, idosos, não importa a pessoa nem a classe, qualquer pessoa pode participar e praticar.

  • Você tem alguma formação acadêmica?
    Não, os sacerdotes, embora eles possuam os graus sacerdotais  que são de acordo com o período com as formas que se fazem no Japão , mas não existem  formação acadêmica especifica. Você passa a vida toda estudando, como eu disse é um aprendizado na pratica. Então você ta aprendendo a cada dia. Essa é nossa formação. Existem aqueles graus sacerdotais, mas não é diretamente relacional acadêmica. Todo sacerdote aqui pode estudar, pode fazer faculdade. Eu ainda não fiz, sou novo. Mas grande parte dos sacerdotes fizeram ,alguns fizeram até mais de uma, enfim não existem restrições contra isso.

  • O que você pensa sobre a morte? O que o budismo acredita que existe depois da morte?
    O budismo antes de tudo ele acredita na eternidade da alma. A pessoa continua sendo ela mesma, a alma sempre será a mesma embora o corpo mude. A o momento que nos consigamos atingir a iluminação. Então nos acreditamos sim tanto em vidas passadas quanto em vidas futuras. Acreditamos e por isso rezamos, para que um dia todas as pessoas possam atingir essa felicidade eliminando assim esse sofrimento, assim, seria aquela ideia de paraíso. Os cristãos tem a ideia de céu, que pra nos seria acabar esses sofrimentos humanos que temos hoje em dia, que são muitos. Nos acreditamos que ninguém pode ficar tranquilo sabendo que tem pessoas próximas que ainda estão sofrendo.

  • O que você acha que tem faltado no mundo? Qual é a cosia que as pessoas mais necessitam?  
    Com certeza mais fé,
     os budistas mais antigos iam bem mais ao templo. A família toda era envolvida conseguia reunir bem mais gente. Hoje em dia os jovens principalmente não se interessam por isso, não ligam muito. Quando você fala em fé, eles torcem o narizEstudam e depositam toda sua confiança na ciência e não ligam mais para religião. Mas na verdade as pessoas que tem religião, tem um apoio muito grande  principalmente nos momentos de dificuldade. Claro não é só na dificuldade que a gente tem que lembrar da fé, mas principalmente nos momentos de dificuldade é bastante importante.  
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3 pensamentos sobre “Conhecendo brevemente o Budismo

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