Algumas coisas desnecessárias

Quando você era criança, provavelmente adorava comer Kinder Ovo e ler a revista Recreio. Independente de ser menino ou menina, isso não influenciava a alegria de brincar com os brinquedos que vinha nas revistas ou no chocolate. Nem em ler as curiosidades e cosias interessantes na revista só pra crianças. Eu não sei o que está acontecendo, não sei de quem foi a ideia brilhante de separar, criar um abismo enorme aonde não precisava. A criação de Kinder Ovo pra meninos e meninas e agora uma revista Recreio só pra meninas.

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Vem aí Girls Recreio! A sua nova melhor amiga.Com ela você aprende, se diverte e se mantém sempre atualizada com assuntos megadivertidos e variados!A partir de 30 de março, nas bancas. Publicado por Revista Recreio em Quinta, 24 de março de 2016

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Mais uma vez as meninas são empurradas para o mundo das roupas e aparência enquanto os meninos ficam com a ciência. Não existe nada de errado com brinquedos ou matérias de princesas, mas subjugar que uma criança, só por ter determinado sexo, TEM QUE SE INTERESSAR por determinadas coisas é puro retrocesso.

giphyNós sabemos hoje mais do que sabíamos há alguns anos que os gostos são extremamente subjetivos. Eu sou uma menina que quando criança amava barbies e princesas, mas nem por isso deixava de me interessar por assuntos de ciência e coisas do tipo, é um desserviço para as meninas serem separadas assim de coisas que são pra elas também.

E isso também afeta os meninos, brincar nada mais é do que fantasiar uma vida desejada. Ensinar que são polos opostos não é o certo. Existe menina na ciência, existe menino no mundo da moda. Existe mulher que dirige e homem que cuida do filho.

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Eu cresci e vi o quanto eu perdi por ser menina. O quanto eu queria ter jogado videogame mas eu não pude porque eu nasci com determinado órgão e não havia meninos por perto para me emprestar seus jogos próprios. Então não prive uma criança de coisas que ela pode gostar só porque ela nasceu com determinado sexo.

Quando criança nós, normalmente, não pensamos muito no que realmente gostamos e agimos muito por manipulação dos mais velhos. Somos inocentes e sensíveis. Quando eu era criança tudo que eu tinha era rosa, meu quarto, meu lençol e meu tênis. Hoje eu não sei por que diabos eu tinha tanta coisa rosa, foco no dia de hoje aonde meu quarto que é 90% azul marinho e não possuo nem uma blusa rosa.

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Brincar é alegria, aprender com uma revista também, e algumas coisas que os adultos fazem com as crianças com bases em suas ideias errôneas é exasperador. A maioria dos pais só quer o melhor para seu filho, mas as vezes esquece de perguntar pro seu filho o que ele quer. Não estou dizendo para fazer o que ele quiser, ele ainda é uma criança. Mas algumas coisas simples, boas e felizes são proibidas apenas por essa ideia ultrapassada.

giphy (1)E o mesmo pros meninos, o mundo que lhes apresenta é mais vasto, mas a pressão que exercem sobre ele se ele quiser brincar com brinquedos proibidos pelo seu sexo, é grande. Um garoto não vai se auto afirmar gay (não que isso seja errado), se ele quiser brincar de boneca, ele só vai estar fantasiando ser pai ou cuidando da sua casa. E isso não tem nada de errado. Pasmem você, mas nem toda menina ou mulher quer ser mãe, cozinhar, passar e casar, isso é muito subjetivo. Seus pais como seres inteligentes e mais maduros deve apresentar a ela o mundo, o mundo da ciência, do automobilismo e do trabalho.

A segregação era aceitável até os anos 60 onde a ciência não era tão desenvolvida e as ideias eram mais ultrapassadas. Hoje, no século de ida constante ao espaço, tratamentos ultra modernos de doenças e a rede mundial de computadores e dispositivos moveis, separar crianças por rosa e azul é sim, uma burrice.

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6 pensamentos sobre “Algumas coisas desnecessárias

  1. Oi, Beatriz. Gosto muito dos seus textos e acompanho seu blog já há algum tempo. Experimentei a mesma revolta que você quando descobri que haviam criado uma versão de Kinder Ovo para menino e outra para meninas. Pensei “como assim, se boa parte da graça do Kinder Ovo era a expectativa?”.
    Uma coisa que penso, no entanto, é que esse episódio não tem a ver com feminismo, machismo ou segregacionismo, mas com um fenômeno que tem se intensificado a cada dia: a cultura do nicho. A cada dia, vemos grupos e mais grupos se delimitando e criando identidades próprias e definidas, bem como seus hábitos de consumo de produtos e de conteúdos.
    O fato de haver um Kinder Ovo “para meninas” não impede que um menino compre, desde que ele faça parte dos meninos que querem um origami em vez de um carrinho (eu sempre odiei carrinhos, por exemplo), e parte de ser cor de rosa é porque as pesquisas dos fulanos disseram que mais meninas preferem origamis a carrinhos, e na mesma pesquisa concluíram que meninas preferem que o ovo tenha fundo rosa em vez de verde. Isso corresponde a demandas que eles adorariam atender por dinheiro.
    No caso da revista, bom, o caso é o mesmo: há muitos anos, a revista Superinteressante deu origem à Mundo Estranho, pois descobriu que havia um público que se interessava por bizarrices, enquanto outros leitores gostavam da parte científica da revista e pouco ligavam para lendas urbanas. A mesma lógica explica porque existem revistas de cultura afro, de tatuagem, e tantas revistas femininas sobre comportamento. O caso da revista Recreio não foge à regra: nenhuma menina deve deixar de comprar a revista Recreio tradicional, mas agora há a opção de comprar uma que fale para um público interessado em coisas tradicionais do universo feminino, como hábitos, roupas e atividades.
    Se um dia inventarem um desodorante “para homens” que tem perfume de desodorante feminino, mas é mais forte para poder responder adequadamente aos hormônios e características biológicas do corpo masculino, não significa que ele deverá ser obrigatoriamente usado por gays, mas que existe uma demanda de homens por ele.
    O que me parece mais preocupante em relação à revista, mas mais ainda em relação ao Kinder Ovo, é o mundo que estamos criando em que crianças e adultos estão se entrincheirando dentro de universos cômodos e convenientes. Cansei de me decepcionar quando aparecia uma bonequinha no Kinder Ovo (gostava das estátuas e das bugigangas de montar), mas faz parte da vida, que nem sempre vai nos dar o que esperamos. Infelizmente, quem compra Kinder Ovo de menino ou de menina não vai aprender isso tão fácil…

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  2. Oi amiga, a revista Recreio eu acho que nunca li na vida, o Kinder Ovo, acho que é assim que se escreve, não vejo mal em vir cores diferentes e não sei se ainda tem um com cor única (os antigos), um dia desses recebi um, tinha um bonequinho, devia ser o azul, foi uma brincadeira, recebi de páscoa, o bonequinho está comigo (risos).
    Às vezes, em certos assuntos, na internet, não gosto de dar a minha opinião.

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  3. Nossa, acho um absurdo essa separação, esse medo dos pais de que os filhos que brincam de boneca, ou filha que brinca de carrinho necessariamente serão homossexuais. Criança é criança e pronto, sem mais.

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  4. Parabéns e obrigada por esse texto!
    Eu precisaria fazer uma análise profunda – não estou em condições agora – para tentar apontar o que ser condicionada a “coisas de menina” me trouxe (ou não) limitações. O ou não está entre parênteses só para deixar a possibilidade em aberto, mas é desnecessário. Lembro que entre minhas brincadeiras favoritas estavam: subir em árvores, esportes de “menino” e fingir que era ninja o power ranger. Tirando alguns joelhos ralados, essas brincadeiras me fizeram mais forte, confiante. Quando brincava de “casinha”, sempre tinha que ter um drama, um sofrimento. O filho que não quer comer, o marido que não gostou do jantar. Ou, antes disso, a dificuldade em arrumar um marido! Eu brincava dessas “realidades” e acho curioso pensar como, desde cedo, via as “coisas de menino” como mais agradáveis do que as “coisas de menina”. Nunca gostei dessa divisão e gostaria muito de ter tido mais liberdade para transitar entre os dois mundos.
    Sobre a revista, acho um baita retrocesso! E é no mínimo curioso pensar que publicações – e outros – estão seguindo essa linha em um momento em que setores da sociedade caminham na direção oposta.

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  5. Sensacional o texto, e me acabando de rir com o esquema guia prático para identificar meninos e meninas kkkkk essa semana meu irmão e eu fomos ao McDonalds e o brinde eram aquelas coisas do Nerf, mas dentre os “de menino” só havia um que ele já tinha, e ele queria outro do mesmo para não pegar um rosa, que era tão legal quanto o azul, porque era ROSA e os amiguinhos iriam rir dele. Acabei o convencendo de levar o rosa com o argumento de que “rosa não é uma cor de menina, rosa é uma cor”, ele aceitou mas pediu para esconder quando os amiguinhos fossem lá em casa brincar com ele… o caminho ainda é longo kkkk

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