Como procurar um cachorro perdido – RESENHA

Eu já fiz, a algum tempo. Um post Para Mudar as Perspectivas. Onde citei dois livros que tratam de uma pessoa autista, E Como Procurar um Cachorro Perdido (CPUCP) é um desses livros. O que deixou tudo ainda mais especial foi que a editora V&R com o selo jovem Plataforma 21 me enviou para fazer essa resenha para vocês. Tudo feito com um amor dobrado.

tumblr_m7vkndehm01qdzj0yo1_500Rosa (Roza) é uma menininha muito doce de 12 anos que gosta de homônimos, e de regras. É verdade que ela possui Sindrome de Asperger, é verdade também que ela as vezes se deixa levar muito pelos homônimos e números primos. Consequentemente tendo que ir para o Corredor para se acalmar.

Mas o que deixa a vida de Rosa mais brilhante é sua cadelinha que chama Poça (Possa) que com seu pelo claro, 11 quilos e 7 dedos brancos, a acompanha e a faz companhia quando seu pai vai ao Irlandês sortudo assistir TV e beber com os amigos. O que você já deve ter notado é que Rose pode ser muito solitária as vezes, sua mãe foi embora quando ela tinha apenas alguns anos de idade. E as únicas pessoas de sua vida alem das duas professoras (a regente e a auxiliar que ajuda Rose manter a calma) são seu pai e seu tio.

tumblr_o2emhgjN9Y1urlrpuo1_500E como seu tio é legal! Ele a ajuda em sua lista de homônimos, a leva e busca da escola bem na hora da rotina e não grita com ela quando ela presta atenção demais nas regras de transito enquanto ele dirige.

Mas tudo sai da rotina (algo bem bem ruim pra Rosa) quando a supertempestade se aproxima do continente, apesar dela morar afastada da costa, é uma grande tempestade e tem potencial para desabrigar milhões. E como se isso não fosse ruim e amedrontador o suficiente, algo acontece e sua amada cadelinha Poça some. Então Rose tem de dar tudo de si para acha-la, mas afinal Como  Procurar um Cachorro Perdido?

“Estas são as coisas que não posso mais fazer á tarde:

  • Sentar na varanda com Poça;
  • Levar Poça para passear;
  • Dar comida para a Poça

As tardes ficaram longas. Parecia que tinham muitos vazios:

  • o vazio entre olhar a caixa de lembranças da minha mãe e começar a fazer o dever de casa;
  • o vazio entre terminar meu dever de casa e começar a fazer o jantar.

Não sei o que fazer com esses vazios. Minha cachorra, a Poça, costumava preenchê-los. Como se preenche um vazio?”

IMG_0904Como eu disse no post citado inicialmente, eu tenho uma paixão extrema por livros narrados por crianças + autismo. É realmente um presente e uma delicia entrar, mesmo que por poucas paginas, na mente de algum outro ser humano que tem perspectivas totalmente diferentes. E apesar de ser uma ficção, sabemos que teve bastante estudo e observação como Ann M. Martin disse em sua nota no fim do livro.

Acontece que esse livro é um pouco diferente dos outros que eu tinha lido com essas características, esse é um livro pra crianças que uma criança realmente pode ler e entender e se por no lugar de uma criança com autismo. E mesmo que entenda tudo superficialmente vai se emocionar muito.IMG_0906

Não é um livro sobre o autismo, é sobre Rosa e suas dificuldades. Uma pequena introdução para você se familiarizar e ver como essas pessoas são especiais.

A escritora optou escrever para o publico mais infantil, logo a história não gira em torno de psicologia nem tem grande foco nas atitudes “autistas” e em como Rosa é diferente.

A narrativa é muito simples e fácil de ler, tendo somente um pequeno desafio no inicio, onde Rosa explica o que é homônimos e por que são tão legais (Desculpe Rosa, as vezes eles não são TÃO legais).O enredo é muito bom, leve, que nos toca e nos comove, é um daqueles enredos que apesar de ser para criança, vai também comover adultos, o que prova que não precisamos de enredos ruins para fazer crianças felizes.IMG_0912

Esse livro é daqueles que se caracteriza por ficção realista, onde os personagens se parecem com pessoas que já conhecemos, com defeitos e qualidades. O que é ótimo e super se encaixa, o livro possui um pequeno plotwist, que eu definitivamente não estava esperando e que ajudou a enriquecer mais o livro e sua mensagem. E a provar que Rosa é tão corajosa e determinada quanto a gente pensou que fosse.

Enfim, o livro é lindo. Li muito rápido e com muita alegria. Fico muito feliz por ter recebido da editora, e super indico para você que gosta de romances mais inocentes, ou que gostaria de presentar a uma criança ou jovem que goste do tema e seja sensível para absorver toda a beleza que Ann M. Martin escreveu.

“Uma história que exalta a força do afeto para o desenvolvimento de qualquer criança, inclusive daquelas com autismo. Leitura essencial para quem quer entender mais sobre a diversidade humana.”
– Andréa Werner, autora do blog Lagarta Vira Pupa

“Este livro não é exatamente sobre autismo. É sobre amor e companheirismo, medo, esperança, libertação de amarras e o que as crianças – todas elas – necessitam, mas nem sempre têm… Leia onde você possa deixar as lágrimas correrem livremente.”
– The New York Times

Informações técnicas: Como procurar um cachorro perdido, resenha

Como-procurar-um-cachorro-perdido.jpgTitulo:Como procurar um cachorro perdido
Autor: Ann M. Martin
Ano: 2016
Páginas: 228
Editora: Plataforma21
Sinopse: Rosa Howard tem quase 12 anos e é obcecada por regras, especialmente as da língua – um sintoma de seu diagnóstico de autismo.

Nem todos entendem bem as obsessões de Rosa e tudo que a torna diferente. Suas professoras, as outras crianças e até mesmo seu pai – uma figura distante, apesar do convívio diário – têm muitas dificuldades em lidar com ela. Felizmente, seu querido tio Weldon e sua cachorra Poça estão sempre presentes.

Porém, quando uma tempestade terrível atinge a cidade onde Rosa vive, Poça desaparece. A menina não tem dúvida: seu pai não deveria ter deixado Poça sair de casa no meio de uma supertempestade.

Rosa precisará encontrar sua cachorra, mesmo que isso signifique quebrar sua rotina e ir a lugares onde ela não está acostumada. E, quando tudo parece estar resolvido, ela encontra os antigos donos da Poça…

Como procurar um cachorro perdido – por Rosa Howard é uma narrativa poderosa e emocionante, contada de forma brilhante através dos olhos de uma menina autista.

 

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4 pensamentos sobre “Como procurar um cachorro perdido – RESENHA

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