Amor e os outros quatro

Ela estava enorme de grávida, sim, grávida. Nunca entendi a mudança de termo para se referir a mesma coisa só que animais diferentes. Estava prenha e gravida, ia dar à luz, parir, ter os bebes ou entrar em trabalho de parto em breve. Estava sozinha, estava miando e estava carente. Não pude deixa-la para lá.IMG_0768

Gatos sempre foram místicos para mim nesse mundo real. Eu era uma criança quando a Amor miou para mim pela primeira vez, enorme e bailando entre as minhas pernas em busca de atenção. Ela era uma gata de rua, e descobriria depois que também era a gata mais inteligente que eu já conheci.

Alimentei, ofereci abrigo. Não entendi o escândalo que ela fez, ou como achou entre as dezenas de janela a única do meu quarto. Dias depois, eu entendi que ela me chamava pra junto dela pra parir. Como era uma criança não entendi, e depois de muito procurar enfiada entre um grande pneu de caminhão estavam lá os cincos, quatro gatinhos, todos brancos. Graças a Deus nenhum seria alvo de rituais estranhos. Graças a Deus nenhum gato preto, muito bem Amor, esses serão doados rapidinho.

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Gatinhos são a felicidade em bola de pelo, são a curiosidade com garrinhas miúdas, são o amor que miam na mesma frequência de bebes recém-nascidos. Abriguei Amor e cuidei dos seus quatro gatinhos, alimentei, aqueci e dei o amor que eu tinha, mas foi ela quem me ensinou um par de coisas. Como sim, eu não tinha nojo de me enfiar em locais escuros e suspeitos, ter responsabilidade e paciência para lidar com coisas que eu não fazia ideia de como se faz. Competência para sair de dia e de noite faça chuva, sol ou temperaturas negativas para checar e talvez dar uns abraços nos bichanos. Agir como a própria louca dos gatos corujando e pronta pra sair no soco com quem encostasse o dedo nos meus gatos e eu não quero saber se você é uma criança, eu mandei deixar os meus gatos quietos. Aprendi também que não se deve acostumar um gato que caça a comer a ração mais cara, pois ele irá sim matar aquela pomba gorda e levar a sujeira para o local onde você arrumou com tanto cuidado sujando tudo de penas e sangue, além de te olhar com uma cara de “advinha o que você me fez fazer quando me deu aquela ração ruim”.

Aprendi também que se eu tivesse passado os três meses em que fui anfitriã dos gatos devidamente medicada não teria surtado tanto, sofrido tanto, chorado tanto no meio do shopping. É incrível como aprendemos sobre nós mesmo quando temos que cuidar de mais alguma outra coisa que não consegue cuidar de si mesmo sem ser atropelada ou perder os filhotes.

 

 

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