Comparações de Traduções de Alice No Pais das Maravilhas – Qual é a Melhor para você?

Existem dúzias de versões do Texto de Lewis Carroll no mercado hoje em dia, reuni algumas para cotegar as traduções do famoso poema ” A Quadrilha da Lagosta” vemos aqui traduções mais fieis ao originais e opções mais abrasileiradas e adaptadas para um publico mais infantil. Qual você prefere?

Em 4 de julho de 1862 no rio Tâmisa flutuava um barquinho com 3 irmãs Liddell e Charles Lauitch Dodison, uma história começou a ser contada de uma menina chamada Alice que caia numa toca de coelho. As três crianças amaram a história e pediram para Charles escrever para elas, anos depois em 26 de novembro de 1864 o manuscrito Alice’s Adventures Underground ficou pronto, ilustrações e escrita a punho pelo próprio Charles.

Por pedidos das pessoas de seu meio a história foi ampliada de 18mil palavras para 35mil e sob o Pseudônimo de Lewis Carroll a história nonsense foi publicada no ano depois em 4 de julho de 1865 com ilustrações características de John Tenniel.

As Aventuras de Alice é algo único, e a forma como continua a ressoar entre nós é diversa. Um texto complexo de traduzir; o jogo intertextual, as citações literárias, trocadilhos e piadas linguísticas, os quais o nonsense carrolliano se sustenta. É uma história intrincada de jogos de palavras que Lewis Carroll criou para o leitor britânico de seu tempo.

Uma vez que os jogos de linguagem são, assim, o carro-chefe da literatura do inglês Lewis Carroll alguns tradutores optaram pelo que chamamos de “abrasileiramento do clássico”, enquanto algumas traduções buscam conservar a familiaridade pra quem está lendo com as fontes tradicionais que o Lewis utilizou pra criar as inúmeras paródias do livro. Outras preferem substituir as referências poéticas originais por alusões a cantigas folclóricas brasileiras ou a conhecidos poemas do cânone nacional, evocando, por exemplo, em vez de autores vitorianos, elementos da nossa própria cultura.

Não deixe de conferir o vídeo comparando fisicamente todas as edições clicando aqui.

Versão Original
Editora ‏: ‎Canterbury Classics
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while the Mock Turtle sang this, very slowly and sadly:

“Will you walk a little faster?” said a whiting to a snail,
‘There’s a porpoise close behind us, and he’s treading on my tail.
See how eagerly the lobsters and the turtles all advance!
They are waiting on the shingle-will you come and join the dance?
Will you, won’t you, will you, won’t you, will you join the dance?
Will you, won ‘t you, will you, won’t you, won’t you join the dance?”

 ‘You can really have no notion how delightful it will be
When they take us up and throw us, with the lobsters, out to sea!’
But the snail replied,

“Too far, too far! and gave a look askance–
Said he thanked the whiting kindly, but he would not join the dance.
Would not, could not, would not, could not, would not join the dance.
Would not, could not, would not, could not, could not join the dance.

“‘What matters it how far we go? his scaly friend replied.
“‘There is another shore, you know, upon the other side.
The further off from England the nearer is to France-
Then turn not pale, beloved snail, but come and join the dance.
Will you, won’t you, will you, won ‘t you, will you join the dance?
Will you, won ‘t you, will you, won’t you, won’t you join the dance?'”

“Thank you, it’s a very interesting dance to watch” said Alice, feeling very glad that it was over at last: “and I do so like that curious song about the whiting!”

Tradutora: Maria Luiza X. de A. Borges
Editora ‏: ‎Zahar
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Tradução Vencedora do Prêmio Jabuti

Tartaruga Falsa cantava, muito lenta e tristemente:

“Quer andar mais ligeirinho?” disse a merluza no caracol.
“Atrás de mim há um delfim, afobado pra festança.
Lampreias, linguados e lulas bailam alegres sob o sol.
Na praia já nos esperam! Quer me dar esta contradança?
Você quer, ou não quer, quer ou não quer hoje comigo dançar?
Você quer, ou não quer, quer ou não quer hoje comigo dançar?

Ah, meu bem, você nem sonha que maravilha sera,
Quando, com as lagostas, nos lançarem lá longe no mar!”
Respondeu o caracol, não sem certo mal-estar:
“Jogado assim tão distante, receio que vá me afogar”,
Agradecia à merluza, mas iria declinar seu convite pra dançar.
Não iria, não podia, não iria, não podia hoje com ela dançar.
Não iria, não podia, não iria, não podia hoje com ela dançar.

“E daí que seja longe?” sua escamosa amiga respondeu.
“Existe outra praia, você não sabia?… Logo do lado de lá.
Se a Inglaterra some de vista… é que a França apareceu!
Sacuda esse medo, meu caracolzinho, e venha comigo dançar.
Você quer, ou não quer, quer ou não quer hoje comigo dançar?
Você quer, ou não quer, quer ou não quer hoje comigo dançar?”

“Obrigada, é uma dança muito interessante de se ver” disse Alice, feliz por ver aquilo finalmente terminado; “e como gostei dessa curiosa canção sobre a merluza!”

Tradutora: Ana Maria Machado
Editora ‏: ‎Ática
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Muito devagar e triste, a Falsa Tartaruga cantava:

“Ó tartaruga, por que estás tão triste?
Mas o que houve com o camarão?
É que a enguia deu um choque nele,
E agora dança com o tubarão….

Vem, tartaruga, vem, meu amor,
Não fiques triste, que o linguado é todo teu,
Tu és muito mais bonita
Que a lagosta que morreu…”

– Parabéns, é uma dança muito interessante de se ver – disse Alice, contente quando finalmente acabou. – E eu gosto tanto dessa cantiga sobre o linguado.. Eu também adoro linguado…

Tradutora: Márcia Feriotti Meira
Editora ‏: ‎Martin Claret
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Aí, a Tartaruga Falsa começou a cantar bem.
devagar e tristemente:
–Vamos, vamos, ligeirinho! – disse a merluza ao caracol. – Lá vem o boto, apressado, pisando meu calcanhar.
As lagostas e tartarugas também já dançam sob o sol.
A quadrilha das Lagostas nos espera! Quer comigo bailar?
Vai ou não vai; vai, vai, vai; venha comigo bailar!
Vai ou não vai; vai, vai, vai; venha comigo dançar!

– Todo mundo aqui já sabe, que melhor que isso não há.
Quando somos lançados com as lagostas lá no fundo do mar!
E o caracol responde: – Não quando se cai de mau jeito!

Muito agradecido, Dona Merluza, mas o convite eu não aceito.
Não vai ou vai; vai, vai, vai; venha comigo bailar!
Não vai ou vai; vai, vai, vai; venha comigo dançar!

– Nada tema, meu amor, você não vai se machucar!
Do outro lado tem outra praia. Não há com que se preocupar.
Se cair longe da Inglaterra, pertinho da França vai estar!
Coragem, caracol querido, e comigo venha bailar!
Vai ou não vai; vai, vai, vai; venha comigo bailar!
Não vai ou vai; vai, vai, vai; venha comigo dançar!

– Obrigada! E mesmo uma dança muito interessante de se ver – comentou Alice, muito contente por aquilo ter finalmente acabado. – E também gostei muito da música sobre a merluza.

Tradutora do texto: Rosaura Eichenberg Tradução dos poemas: Ísis Alves
Editora ‏: ‎L&PM Pocket
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a Tartaruga Falsa cantava muito lenta e tristemente a seguinte canção:

Disse a branquinha ao caracol: “Vê se apressa esse passo!
Pisam na minha cauda, há um delfim em nosso encalço.”
Lagostas e tartarugas, ansiosas, avançam!
Esperam entre os seixos – você vai entrar na dança?
Não vai, vai, não vai, você vai entrar na dança?
Vai, não vai, vai, você não vai entrar na dança?

“É tão delicioso, você nem pode imaginar,
Quando nos atiram, com as lagostas, para o mar!”
Mas, disse o caracol, “Longe demais!”, sem confiança…
Ficava muito grato, mas não ia entrar na dança.
Não, não podia, não, não ia entrar na dança.
Não, não ia, não, não podia entrar na dança.

“Longe? Mas e daí?”, respondeu a amiga escamada.
“Você bem sabe que existem praias do outro lado.
Se longe da Inglaterra, muito mais perto da França…
Meu caro, não tenha medo, trate de entrar na dança.
Não vai, vai, não vai, você vai entrar na dança?
Vai, não vai, vai, você não vai entrar na dança?”

“Obrigada, é uma dança muito interessante”, disse Alice, muito contente de que tinha por fim acabado “e gostei muito dessa canção sobre a branquinha!”

Tradutor: João Sette Camara
Editora ‏: ‎Ciranda Cultural
Compre Aqui: https://amzn.to/3JAadNy

a Tartaruga Falsa cantava a seguinte canção, muito devagar e de modo triste:

“Pode andar um pouco mais rápido?”, disse o caramujo à pescada,
“Tem um delfim atrás de nós, que está me dando uma pisada.
Veja o quão animadas as lagostas e as tartarugas avançam!
Elas esperam na praia; você vai entrar na dança?
Você vai, ou não vai, vai, ou não vai entrar na dança?
Você vai, ou não vai, vai, ou não vai entrar na dança?”

“Você não pode ter ideia do quão agradável é,
Quando nos pegam e nos jogam, com as lagostas, na maré!”
Mas a pescada disse: “Muito longe!”, e olhou com desconfiança.
E agradeceu ao caramujo, mas não ia entrar na dança.
Não ia, não podia, não ia, não podia, não ia entrar na dança.
Não ia, não podia, não ia, não podia, não ia entrar na dança.

“De que importa a distância?”, disse o amigo, bem disposto;
“Há outra orla, sabe, do lado oposto.
Quanto mais longe da Inglaterra, mais perto da França.
Não se assuste, cara pescada, venha entrar na dança.
Você vai, ou não vai, vai, ou não vai entrar na dança?
Você vai, ou não vai, vai, ou não vai entrar na dança?”

– Obrigada, é uma dança muito interessante de se observar – comentou Alice, sentindo-se muito contente por aquilo por fim ter acabado. – E eu gostei muito dessa música inusitada sobre a pescada!

Tradutor: Jorge Furtado & Liziane Kugland
Editora ‏: ‎Alfaguara
Compre Aqui: https://amzn.to/3LWSDVq

Enquanto isso, a Tartaruga Falsa cantava essa canção, muito devagar e tristemente:

“Ela gosta de mim
Mas eu gosto dela mesmo assim!
Tava na beira da praia comendo churrasco com o Bacalhau.
Uma sereia de saia bateu no meu casco e chamou prum luau.
Disse, me piscando o olho, que estava na minha, que eu era o seu gato.
Joguei a sereia no molho e botei, com farinha, o seu rabo no prato.
Ela gosta de mim
Mas eu gosto dela mesmo assim!
Ela tava na minha…
Mas eu gosto dela é com farinha!
Tava me dando bola..
Mas eu gosto dela é com cebola!
Ela gosta de mim
Mas eu gosto dela com aipim!
Ela é muito engraçada..
Mas eu gosto dela mesmo assada!”

– Obrigada, é uma dança muito interessante de se ver – disse Alice, muito feliz porque finalmente tinha acabado –, e eu adorei aquela parte que fala do bacalhau comendo churrasco!

Tradutor: André Cristi
Editora ‏: ‎Aeroplano
Compre Aqui: https://amzn.to/3KBADzv

Enquanto isso, o Jabuti de Mentira cantava, bem devagar e melancolicamente:

–”Acelera aí!”, diz a piaba ao caramujo.
“A cavalinha aqui atrás ‘tá cheirando a rabujo.”

Na Quadrilha das Lagostas o jabuti sacode a pança.
Caiu na água, dança. Não caiu, segura a criança

Quem dança, quer dança. Quem não dança segura a criança.
Quem dança, quer dança. Vai dançar ou ficar com a criança?

“Você não tem ideia da maravilha que vai ser
Quando a gente se jogar: eu, as lagostas e você?”
Caramujo olhou torto, enjoado da festança:
Agradeceu ao badejo, mas não quis cair na dança.

Caramujo não dança, caramujo segura a criança.
Caramujo não dança, caramujo segura a criança.

“Do que importa a lonjura?”, respondeu o escamoso.
“Vamos! Na outra borda d’água, viver é mais gostoso.”
Quanto mais longe daqui, mais perto de Madagascar.
Não se avexe, caramujo, é lá que a gente vai dançar.

Quem dança, quer dança. Quem não dança segura a criança.
Quem dança, quer dança. Vai dançar ou ficar com a criança?

– Obrigada, é uma dança muito boa de assistir – ela disse, sentindo-se muito contente por ter terminado. – E também adorei essa música interessantíssima sobre o peixe!

Tradutor: Monteiro Lobato
Editora ‏: ‎Lafonte
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    Não possui o poema A Quadrilha da lagosta, no local tem o seguinte texto:

–Cante você, que eu já me esqueci da letra, respondeu o Grifo.

Assim se fez. Começaram os dois a dançar em volta de Alice, pisando-lhe os pés quando se chegavam demasiado. A Tartaruga Falsa não só cantava, como ainda marcava o compasso com as desajeitadas patas. Alice nunca imaginou espetáculo mais cômico, porque se há criatura que não deve dançar nunca, é uma tartaruga.

Quando a dança chegou ao fim, a menina disse:

– Bravos, bravos! A dança é linda e o canto mais lindo ainda. A letra refere-se às pescadas, um peixe que já vi inúmeras vezes ao jan… e parou de repente.

Tradutor: Nicolau Svcenko
Editora ‏: ‎Sesi-SP
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Enquanto isso, a Falsa Tartaruga cantava uma canção, muito lenta e triste:

“Dá pra apressar?”, disse a Sardinha ao Caramujo,
“que atrás de mim vem um boto: ou encaro ou fujo!”
“As tartarugas e as lagostas estão dando uma festa,
Vamos dançar, gastar a energia que nos resta.”

“Vem ou não vem, cair nessa onda também?”
“Vem ou não vem, dançar e brincar com alquém?”

“Ai! Você não pode imaginar que delícia,
Cada rodopio e pirueta é uma carícia!”
“Não”, disse o Caramujo, “E noite, pego um lençol,
me enrolo, quieto e quente, no meu caracol.”

“Vem ou não vem, agitar a carcaça, meu bem?”
“Vem ou não vem, lavar todas as mágoas, amém!”

“Se é noite, é ainda melhor”, disse a Sardinha,
“sob as estrelas e a lua madrinha,
saia da concha e mostra toda tua garra
salta da toca e caia de boca na farra.”

“Vem ou não vem, bailar a noite como ninguém?”
“Vem ou não vem, agitar aqui, lá e além?”

– Muito obrigada, é uma dança bastante interessante de se ver – disse Alice, feliz por aquilo haver finalmente terminado. – Eu gostei muito também dessa música curiosa sobre o peixe: me fez lembrar de pescada-branca!

Tradutora: Sarah Pereira
Editora ‏: ‎Pandorga
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enquanto a Tartaruga Falsa cantava isso de forma muito lenta e triste:

“Pode andar um pouco mais rápido?”, disse um badejo ao caracol.
“Há um golfinho logo atrás de nós, empolgado para a dança.
Veja como as lagostas e as tartarugas avançam!
Eles estão esperando na praia – você irá dançar?
Você vai ou não vai, não vai ou vai entrar na dança?
Você vai ou não vai, não vai ou vai entrar na dança?”

“Você realmente não tem noção de como é maravilhoso
Quando nos pegam e nos jogam, para longe no mar!”
Mas o caracol respondeu “Longe demais, longe demais!”
E deu uma olhada temeroso…
Disse que agradeceu gentilmente o golfinho, mas não quis dançar.

Não, não poderia, não, não poderia, não
juntar-se à dança.
Não, não poderia, não, não poderia, não poderia
juntar-se à dança.

“O que importa até onde vamos?”, seu amigo escarnoso respondeu:
“Existe uma outra margem, você sabe, do outro lado.
Quanto mais longe da Inglaterra, mais perto fica a França –

Então não fique pálido, caracol amado, mas venha se juntar à dança.
Você vai, não vai, não vai, vai se juntar à dança?
Você, você não, você não, você não se juntará à dança?– Obrigada, é uma dança muito interessante de assistir,– Alice declarou, sentindo-se muito feliz por finalmente ter terminado. – E eu gosto dessa curiosa música sobre o badejo!

Tradutora: Marcia Heloisa
Editora ‏: ‎Darkside
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enquanto a Tartaruga de Mentira cantava, em tom moroso e melancólico:

Dona Lesma, ande depressa
Veja: a foca corre à beça
E jà que o grupo avança
Me dê a honra desta dança!

Diga sim, só para mim, diga sim sim sim
Vem dançar, vem dançar, dance sem parar!

A solha apontou os convidados
Ansiosa pelo inicio do festejo
“Não tem jeito, estamos atrasados”
Disse a lesma despedindo-se com beijo

Disse não, nada feito, disse não não não
Disse não, não, Dona Solha, que decepção

Mas dai o peixe não se fer de rogado:
“Quem disse que o mar tem um só lado?
Para alèm da Inglaterra: a França..
Là me darás a honra desta dança !
Diga sim, só para mim, diga sim sim sim
Vem dançar, vem dançar, dance sem parar.”

“Obrigada, foi muito divertido observá-los”, disse Alice, aliviada com o fim da demonstração. “E adorei essa música engraçada da solha!”

O poema de Lewis Carroll cantado em uma melodia interpretada por Franz Ferdinand para a trilha sonora do filme de Tim Burton de 2010
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